A saúde dos “superidosos” e a crescente expectativa de vida

A expectativa de vida da população brasileira cresce a cada ano. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quem nascer em 2020 viverá em média 76,7 anos, um aumento de 2,8 anos em relação a 2010. Nas projeções por estado, o paulista nascido em 2030 pode chegar até os 80 anos.
 
De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a população brasileira terá cada vez menos jovens para mais idosos. A proporção dos “superidosos”, aqueles com 80 anos ou mais, estará entre os mais numerosos. Em 2060, esse grupo etário representará 10,5% do total de mulheres, e 8,76% do total de habitantes no país.
 
O fato de as pessoas estarem vivendo mais é uma ótima notícia para a sociedade brasileira. Entretanto, requer maior cuidado com a saúde. O sedentarismo, a obesidade, a má alimentação e falta de exercícios são os principais vilões contra o envelhecimento saudável.
 
O processo de envelhecimento do corpo humano é inevitável. Todos envelheceremos. Mas, existem maneiras de interferir positivamente nesse processo, de modo a retardar ou diminuir a sua velocidade. Os dois principais “manipuladores” desse processo são a alimentação e a atividade física. Com o passar dos anos, o metabolismo basal, que é a quantidade de energia que nosso corpo precisa diariamente para sobreviver, diminui. O organismo passa a funcionar mais lentamente e de modo menos eficiente.
 
Também com o passar do tempo, os músculos, que são a principal fonte consumidora de energia no corpo, reduzem de tamanho e, dessa forma, também se reduz o consumo energético. Com isso, há uma tendência natural ao acúmulo de gordura no corpo, que a cada ano precisa de menos energia, mas que dificilmente é acompanhada pela diminuição da ingestão de calorias na alimentação.
 
O ideal para envelhecer com saúde é manter, regularmente, o trabalho de fortalecimento muscular. Ele mantém os músculos com maior volume e ativos, dá mais sustentação à estrutura óssea, evita seu desgaste e auxilia de maneira muito mais eficiente a locomoção, o equilíbrio e as atividades da vida diária em geral.
 
Pessoas da terceira idade podem trabalhar o sistema muscular de diversas formas. Exercitar-se contra uma resistência é o caminho mais eficiente. Exercícios com pesos como na musculação, com resistência de molas, como acontece no pilates, ou mesmo com resistência do peso corporal são ideais para esse objetivo.
 
Independentemente da escolha, os músculos só responderão de maneira positiva se forem exigidos em situações próximas de sua capacidade máxima atual, ou seja, com a utilização de cargas que demandem um esforço ao qual a pessoa não esteja acostumada no dia a dia.
 
Os efeitos positivos serão notados em pouco tempo. Até mesmo em uma simples caminhada, atividade sofrida para sedentários. Como exemplo, durante muito tempo pensou-se de maneira equivocada que a sensação de falta de fôlego que um idoso sentia ao subir uma escada ou uma rua inclinada ocorria devido a uma fraqueza do sistema cardiorrespiratório, pois o primeiro sintoma era a respiração acelerada. Na verdade, hoje se sabe que essa hiperventilação acontece como resposta a um estímulo oriundo da musculatura das pernas.
 
Por realizar um esforço próximo de sua capacidade máxima, a musculatura começa a produzir ácido lático, que se concentra na medida em que as pernas realizam o esforço para se movimentar. Essa acidez ‘pede’ para o coração bater mais rápido, para que o sangue chegue mais rapidamente no músculo e retire o ácido ali acumulado. O aumento do batimento cardíaco provoca uma resposta dos pulmões, que aumentam a frequência respiratória para oxigenar a maior quantidade de sangue bombeado pelo coração. É aí que se dá a sensação de fôlego no limite, quando na verdade o que está fadigado são os músculos das pernas.
 
Com as pernas fortalecidas, o esforço de subir uma escada ou ladeira não exigirá mais a capacidade máxima, diminuindo a produção do ácido lático, responsável por desencadear todo o processo orgânico causador do cansaço e da falta de fôlego.
 
O exemplo ilustra apenas um dos inúmeros benefícios que a prática de atividade física pode trazer para a terceira idade. Não é necessário nada muito pesado. Somente exercícios resistidos, mas que são importantes para a autonomia do idoso e que trarão mais segurança para a realização de tarefas rotineiras, como tomar um banho.
 
A vida mais ativa para os idosos é essencial para o aumento desta expectativa de vida apresentada nos estudos. Os futuros “superidosos”, que pretendem levar a longa vida com qualidade, devem adotar essa filosofia. Somente assim envelhecerão com saúde.
 
Matéria publicada pelo site ITU

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