Morte súbita na corrida é causada por doença pré-existente, diz fisiologista

Nos casos de morte súbita, o exercício geralmente é o “gatilho” da intercorrência, desencadeando um episódio sempre associado a uma doença pré-existente. Nenhum indivíduo saudável morre correndo uma prova de rua, exceto em casos muito raros de desidratação ou hipertermia extremas, ou ainda quando existem drogas associadas.
 
Episódio que assustou os corredores de meia maratona levanta discussão sobre os riscos do exercício intenso, e o “gatilho” de um problema de saúde.
 
Os participantes da Meia Maratona Golden Four etapa Rio de Janeiro tomaram um grande susto neste domingo. Entre os quilômetros 19 e 20, no Elevado do Joá, um rapaz jovem caído, aparentemente sem vida. As primeiras notícias na linha de chegada era de que o rapaz- até então não identificado- havia sofrido uma morte súbita.
 
Felizmente a informação foi desmentida nas redes sociais nesta segunda-feira, quando os primeiros nomes começam a aparecer. O rapaz de 40 anos se chama Cristiano, sofreu um ataque cardíaco, mas sobreviveu – está lúcido, internado na Clínica de Saúde São José. Foi atendido imediatamente pelo médico Bruno Bussade, cardiologista da mesma Clínica, que corria a seu lado e fez os primeiros socorros, até a chegada da ambulância.
 
Mas o susto serviu para despertar em corredores de todas as idades a dúvida mais temida por aqueles que praticam esporte: o exercício mais intenso, como uma meia maratona é um risco para a saúde?
 
Na verdade, nenhum indivíduo saudável morre correndo uma prova de rua, exceto em casos muito raros de desidratação ou hipertermia extremas, ou ainda quando existem drogas associadas. Nos casos de morte súbita, o exercício geralmente é o “gatilho” da intercorrência, desencadeando um episódio sempre associado a uma doença pré-existente.
 
Este “gatilho” tanto poderia ser a corrida, como um esforço mais intenso em uma atividade do dia a dia, o que muitas vezes ocorre. Certamente, uma corrida como uma meia maratona exige um esforço físico além do que normalmente o indivíduo é submetido em atividades normais e a chance de uma doença desencadear um episódio fatal é muito maior.
 
O que precisa ficar claro é que não é o exercício que mata, e sim a doença que já existe e não foi diagnosticada. Se um indivíduo morre correndo, certamente era portador de uma doença que a qualquer momento poderia causar sua morte se não fosse diagnosticada e devidamente tratada.
 
O esforço físico mais intenso predispõe a esses episódios por estar associado à perda de líquidos, tornando o sangue mais viscoso; por aumentar muito significativamente a pressão arterial e sobretudo, por exigir do coração um grande aumento de trabalho que precisa ser compatibilizado com uma irrigação de sangue adequada pelas artérias coronárias.
 
Para o indivíduo saudável, estas condições absolutamente não representam nenhum risco. A necessidade, portanto, é um diagnóstico adequado da condição de saúde, para liberar o indivíduo plenamente para atividades mais intensas e este diagnóstico não se restringe a quem pretende fazer exercícios físicos.
 
A discussão sobre esse assunto deve passar pela seguinte pergunta:
– Quem vai fazer exercício precisa consultar um médico? O bom senso diz que sim, entretanto é ainda mais indicado consultar um médico para quem não faz exercícios, pois a chance de um sedentário ficar doente é muito maior!
 
Matéria publicada pelo site Eu Atleta
 

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