Estudo mostra que é possível fazer bem duas coisas ao mesmo tempo

Pesquisa americana testou desempenho de idosos que realizaram tarefas cognitivas enquanto se exercitavam em bicicleta ergométrica.
Esqueça a desculpa do “não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo”. Um estudo da Universidade da Florida, nos Estados Unidos, desafia a noção de que ser multitarefa pode prejudicar o desempenho em uma das atividades. Em um levantamento com idosos que completaram tarefas cognitivas enquanto se exercitavam em uma bicicleta ergométrica, os pesquisadores descobriram que a velocidade de ciclismo dos participantes melhorou, sem nenhum prejuízo para o desempenho cognitivo.
Os resultados do estudo — apoiado por um subsídio do Instituto Nacional sobre Envelhecimento — foram publicados esta semana na revista PLOS ONE. A descoberta foi uma surpresa para os investigadores Lori Altmann, professor associado de ciências da fala, linguagem e audição da Faculdade de Saúde Pública e Profissões da Saúde, e Chris Hass, de fisiologia aplicada e cinesiologia na Faculdade de Saúde e Humano Performance.
Originalmente, eles queriam determinar o grau em que o desempenho de tarefa dupla sofre em pacientes com Parkinson. Para isso, os pesquisadores fizeram um grupo de pacientes acometidos pela doença e um grupo de idosos saudáveis completarem uma série de testes cognitivos cada vez mais difíceis enquanto pedalavam.
— Todo estudo do tipo que eu conhecia mostrava que, quando as pessoas estão a fazer duas coisas ao mesmo tempo, fazem algo pior. Todo mundo já tentou andar com pressa em algum lugar e, de repente, a pessoa na frente deles tira um telefone e retarda o andar. Francamente, isso é o que nós esperávamos desse novo estudo — disse Altmann.
A velocidade de ciclismo dos participantes foi cerca de 25% mais rápida ao fazer as tarefas cognitivas mais fáceis, mas tornou-se mais lenta conforme as atividades ficavam mais difíceis. Os resultados sugerem que a combinação das tarefas cognitivas mais fáceis com a atividade física pode ser uma forma de levar as pessoas a exercitar de forma mais vigorosa. Os pesquisadores planejam fazer deste um tópico para futuras pesquisas.
As razões para o sucesso dos participantes incluem vários fatores, dizem os pesquisadores, mas uma explicação poderia ser a excitação cognitiva que ocorre quando as pessoas antecipam a conclusão de uma tarefa cognitiva difícil. Da mesma forma, o exercício aumenta a excitação em regiões do cérebro que controlam o movimento. A excitação aumenta a liberação de neurotransmissores que melhoram a velocidade e a eficiência do cérebro, particularmente os lobos frontais, melhorando assim o desempenho do motor e em tarefas cognitivas.
— O que a excitação faz é dar-lhes mais atenção para se concentrar em uma tarefa — disse Altmann.
Os participantes do estudo com doença de Parkinson não aceleraram tanto quanto os idosos saudáveis. Isso pode ser porque a excitação que deriva de exercício cognitivo e físico é dependente de dopamina e outros neurotransmissores, que são deficientes em pessoas com Parkinson.
Matéria publicada no site ZH Bem-Estar
 

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