Como deve ser a atividade física das crianças?

O caso da “musinha fitness” Anna Clara Mansur, de nove anos, que criou uma conta no Instagram para documentar sua rotina de treinos e alimentação saudável, despertou controvérsias ao vir a público. Enquanto alguns defendiam os bons hábitos da menina, que, dizem, se tornará uma adulta disciplinada e responsável, outros criticaram certa “adultização”, aconselhando mais colégio, bolachas recheadas e correria no quintal de casa com as amigas.
 
 
Mas, como tudo, a chave para uma infância saudável em termos esportivos mora no equilíbrio. Por isso, ZH conversou com uma série de especialistas para descobrir os limites do “fitness infantil”:
Crianças podem fazer treinamento com pesos?
Não, em absoluto.
 
— Os pesos exagerados podem causar lesões ósseas e atrofias, comprometendo o crescimento da criança — afirma Ana Karine Salomão, educadora física pós-graduada em Ciência do Movimento pelo IPA.
Qual a atividade física ideal para as crianças?
A atividade ideal é aquela que a criança gosta — e, importante, uma que possa ser praticada em grupo, com outras crianças. O ideal é que, em vez de treinar sozinha em um local cheio de adultos, o pequeno possa se sentir mais à vontade, com outros de sua idade. É o caso do judô, do balé, da natação, entre outros, que devem ser praticados com propósitos educativos: a criança deve aprender e exercitar a modalidade. Deve-se atentar para a competitividade: a criança só deve ser submetida a treinamentos de alto rendimento se for seu desejo (e não o dos pais) e mediante acompanhamento psicológico e médico especializado.
 
— A especialização precoce é apontada como um grande risco do esporte competitivo durante a iniciação esportiva infantil. A busca incessante pelo prestígio conduz professores e familiares a exporem as crianças a situações de grande exigência e tensão, de treinamentos intensivos e precoces em busca de altos rendimentos. É importante ressaltar que poucas dessas crianças que iniciam treinamentos e competições precoces alcançam a vitória e o sucesso. O que prevalece é uma maioria denominada derrotados, que irão se frustrar com os resultados — aconselha a psicóloga Letícia Gabarra, mestre em Psicologia do Esporte.
Suplementação, pode?
De jeito nenhum. A suplementação, embora em voga com a tribo dos marombados e das blogueiras fitness, é indicada apenas para atletas que, pela rotina pesada de treinos, não conseguem absorver todos os nutrientes necessários por meio da alimentação. Suplementos como whey protein, BCAA e companhia devem ser mantidos longe das crianças.
Mesmo crianças obesas não podem frequentar a academia?
Depende:
 
— O trabalho com crianças obesas, em academias, é feito para prepará-las para essas atividades físicas em grupo — diz Ana Karine.
 
Isso quer dizer que a criança será estimulada a fazer exercícios aeróbicos, que auxiliam no emagrecimento e, quando tiver condicionamento, está liberada para se juntar à turma dos esportes recreativos.
E qual é a frequência ideal? Quanto é demais?
Depende — alguns são mais agitados, outros nem tanto. Alguns vão procurar praticar esportes, como jogar bola ou pular corda, fora do horário circunscrito da atividade extracurricular, e outros não. Mas o ideal é que a criança se exercite três vezes por semana, uma hora por vez.
E qual é o papel dos pais?
É o de acompanhar:
 
— O papel dos pais é incentivar os filhos, observar o gosto deles, o perfil, o que lhes dá prazer, da mesma forma como acompanham o desempenho escolar. Onde há sorriso, é sinal de que está dando certo — diz o preparador físico José D’Elia.
 
 
Matéria publicada pelo site Zero Hora

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